Por 35 anos moramos
com nossos seis filhos numa grande casa
e havia no quintal, entre outras árvores
frutíferas, uma jabuticabeira que
nunca tinha dado UM fruto.
A uma certa altura, os filhos casaram, saíram
de casa e essa se transformou num grande
elefante branco, cercada de espaço
por todos os lados.
Para ocuparmos o espaço ocioso, resolvemos
desmembrar a casa em duas. Para tanto precisávamos
eliminar a preguiçosa jabuticabeira
que estava bem no meio do caminho do nosso
projeto.
Meu marido, que tem "dedos verdes"
e profunda conexão com o reino vegetal,
colocou a mão no tronco da dita jabuticabeira
e com determinação e um certo
pesar disse:
"Sinto muito, mas você não
deu um fruto nesses trinta e cinco anos,
portanto lamento muito, mas vou ter que
derrubá-la, pois onde você
está ficará nossa nova cozinha."
Passada uma semana, acordamos com um forte
cheiro adocicado de flores que invadia toda
a casa. Procurando de onde provinha aquele
aroma delicioso, pois não havia flores
dentro de casa, qual não foi nossa
surpresa ao depararmos com a jabuticabeira
coberta de flores, do tronco aos mais finos
galhos, flores essas que se transformaram
em tantos frutos que uns expulsavam os outros,
lutando por espaço para sobreviver.
Alegres como crianças, chamamos todos
os vizinhos e amigos e a história
se espalhou pelo bairro e ainda hoje é
contada pelos antigos choferes de táxis
como o milagre da jabuticabeira assustada,
que ao se ver condenada à extinção,
resolveu produzir maciçamente e até
hoje, passados quinze anos, continua dando
esta florada quatro vezes por ano. E isso
em pleno Itaim Bibi, cercada de bares, confecções
e intenso trânsito.
Desejo à todos meus queridos e amados
amigos que em 2011 vocês não
precisem levar um susto de sobrevivência,
para poder fazer desabrochar todos os seus
potenciais aprisionados pela preguiça.
Axé
na Luz, Paz, Saúde e Concórdia,
Carminha
Levy
Instituto de Pesquisas
Xamânicas
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