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LAÇOS DE FAMÍLIA

# A Bruxinha que Era (É) Boa

# Eu Acredito em Mim

# O Fator Alegria

# A Grande Rede

# Com Carinho e Afeto

# Liberte-se do Jugo da Crítica

# A Nova Família

É com muita alegria que revivendo o sucesso de Carminha Levy na Revista Estilo Natural, com sua coluna "LAÇOS DE FAMÍLIA", vamos compartilhar seus textos. Ao mesmo tempo, convidamos aqueles que se sentirem tocados pelo assunto e desejarem fazer alguma colocação pessoal, para que mandem um e-mail para Carminha, expondo sua questão, que ela ira responder pessoalmente, em total privacidade.

Começamos agora em Maio com o texto "A Bruxinha que era (é) boa", que honra as Mães de uma forma bastante inusitada, o que bem caracteriza o estilo de Carminha: natural, espontâneo e sem "frescuras", ao transmitir suas idéias e conselhos. Este será mais uma contribuição com seu toque diferenciado, como pedagoga e educadora que é.

QUERIDOS IRMÃOS XAMÃS

O mantra que recebi do oceano pacífico "Piece of Peace" nos leva a ser assim, literalmente "Pedaço de Paz" no mundo, iniciando esta missão nas nossas relações primeiras, a família.

Nesta coluna, mensalmente vocês terão sempre de forma leve e irreverente algumas dicas de como lidar com problemas familiares e afins. Estarei também disponível para responder por e-mail com sua questão pessoal.

Começo com um assunto muito especial. Fiquem conosco e recebam minha homenagem à Mãe e também a Mãe substituta que você é, ou será um dia,

Carminha Levy

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A Bruxinha Que Era (É) Boa

texto de Carminha Levy

Depois da "Mãe" não há ninguém mais xingado do que ela, talvez perca apenas para juiz de futebol. Estamos falando da Sogra - a eterna injustiçada por razões psicológicas, culturais e folclóricas. Há sempre uma piada sem propósito, de profundo mau gosto que é repetida sadicamente.

Existem sim sogras que são bruxas más, isto se deve a uma difícil relação arquetípica triangular - mãe, filho(a) e o outro(a). Um apego egoísta de posse, leva-as a encarar qualquer escolhida como a inimiga No. 1 . Por sua vez, esta projeta na sogra a mãe má, que todos nós temos internalizada e que não nos atrevemos a aceitar. Afinal, como poderia a nossa "mãezinha querida" ser uma bruxa?

Rumores e intrigas de antigamente à parte, temos que convir que as coisas mudaram. Hoje as mulheres mais velhas não estão tão velhas assim: a mente está jovem, criativa e elas participam ativamente do que ocorre no entorno. Sua motivação de vida não é mais só o mundo redondinho da família: elas cuidam também do corpo, privilegiam o Eros (alegria de viver), têm uma carreira e vêem com empatia as "escolhidas" (que geralmente são suas grandes aliadas).

O que seriam das jovens profissionais com carreiras promissoras e que não abrem mão de ser cuidadosas e presentes mães? A creche, a babá, a escolinha, por melhor que sejam não substituem um coração maternal nutridor de uma avó, que alimenta a força de crescimento interno de uma criança. As sogras dos dias atuais, por conhecerem mais a realidade e respeitar os direitos dos outros, não interferem na vida do casal, nas suas decisões de como educar os filhos, ou de como administrar sua economia, e, só se pronunciam quando são chamadas a fazê-lo.

As famílias que preservam os laços afetivos e se ajudam mutuamente estão perpetuando o que temos de mais sagrado: o respeito mútuo e o exemplo de uma convivência harmônica, na qual as mais beneficiadas são as crianças que desfrutam desta segurança e aprendem a amar, valorizar e respeitar os mais velhos. Estes, por sua vez, sabem que o mais importante é agradecer a vida que lhe traz jovialidade via netos e cultivar a Sabedoria do Viva e deixe Viver!

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"Eu Acredito em Mim!"

texto de Carminha Levy

"O que difere um vencedor de um perdedor no jogo da vida é a questão da fé nas possibilidades e talentos"


INSPIRADA EM PETER PAN que, ao saber que a Fada Sininho está morrendo, pede a todas as crianças do mundo que digam: "eu acredito em fadas", transformei estas palavras do mundo mágico infantil, que fez com que Sininho voltasse a viver, num mantra "Eu acredito em mim". Ele funciona como um despertar da esperança dos adultos, que estão à beira de desistir de viver psicologicamente, como se fosse um elixir da longa vida, trazendo o retorno dos sonhos e da vontade de lutar pelas mudanças.

É incrível e comovente acompanhar as transformações que ocorrem nos meus grupos de crescimento, quando os alunos se deparam com as mil possibilidades de acreditar em si próprios e de se abrirem para a fé. Acreditar em si é ter um projeto de vida, confiança, intenção clara do uso do que deseja através da força de vontade, esperança e fé.

A vida, esta dádiva maravilhosa que muitas vezes nem percebemos como tal, pode ser recriada por nós ou entregue ao "destino", numa opção supersticiosa como se fôssemos marionetes dele. Faça suas escolhas! Nesse grande jogo da vida que recebemos ao nascer, as cartas não estão marcadas como alguns sugerem e cabe a você "virar" e fazer seu "grand slam".

No seu jogo da vida, você tem como naipes quatro forças fundamentais: intenção clara do que quer ser; confiança nisso; força de vontade para alcançar suas metas. O fogo que vai forjar esse projeto é a fé. Ela é uma chama ardente que reside nos nossos corações e que, muitas vezes, pelas jogadas do destino que você acreditou, está coberta de cinzas, mas jamais apagada.

Com estas quatro forças, sopre as cinzas de sua chama. Ela crescerá à proporção que você retirar das mãos de terceiros, o seu poder, que você acreditou que vem de fora, talvez por meio de um amor sado-masoquista ou um trabalho que você detesta, mas imagina morrer de fome sem ele!

Seu poder está dentro de você, provavelmente camuflado pelo medo de que, se vier à tona, você perderá o seu cristalizado sistema de crenças. Isto provocará uma grande revolução existencial para a qual precisa coragem. Pare de se trair! Seja fiel a si mesma - acredite em si.
À medida que vai sabendo quem realmente é, e qual o seu propósito sagrado de vida, a chama da fé se acende cada vez mais, num processo alquímico de transformação.
Este, uma vez iniciado, vai conduzindo sua vida por meio da fé incondicional, a seu ouro - sua luz - e você será sempre inspiração para todos que lhe cercam.

É a fé que move montanhas, e essas podem ser vistas como os grandes obstáculos da sua vida que, por mais impossíveis que possam lhe parecer, serão removidos por ela.

O que difere um vencedor de um perdedor no jogo da vida é a questão da fé nas nossas possibilidades, talentos, capacidade de ousar, mudar. Apesar das evidências em contrário, reveladas por parte do mundo, temos fé no ser humano, na chama crística que mora no nosso coração. Fé que nós somos seres divinos, capazes de virar o grande jogo da vida da humanidade, para um mundo melhor de harmonia, paz, amor e fé. ...E, então, diga comigo: "Eu acredito em mim! Acredito, acredito, acredito!" de novo:... "Eu acredito em mim! Acredito, acredito, acredito!"

Seja Feliz!

Carminha Levy

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O Fator Alegria

texto de Carminha Levy

Quando estamos apaixonados
é nítida a felicidade circulando
no nosso sangue.
O êxtase religioso é outra forma
de alegria arrebatadora

Vamos eleger um símbolo para representar esse sentimento: o sol! O calor e o brilho do astro-rei são as freqüências luminosas de uma pessoa alegre. Além de tons especiais, seres felizes têm um som próprio que se assemelha ao cascatear dos risos das crianças e que deixa seu rastro por onde passa.

Algumas situações nos permitem mergulhar nesse sentimento: quando estamos apaixonados é nítida a felicidade circulando no nosso sangue. O êxtase religioso é outra forma de alegria arrebatadora. Mas, temos também a maneira suave dela se manifestar no coração em simples situações do cotidiano, como por exemplo a da mãe que observa o sono sereno do seu filho, ou da criança que alça vôo junto à sua pipa colorida, tomada por uma explosão de liberdade que ela ainda nem sabe o significado.
Percebe-se assim que alegria é um fator natural encontrado em todos nós. Mas, o que a torna tão difícil de ser sentida por alguns indivíduos? Podemos apontar como causa as visões de mundo pessimista e otimista. Há também a leitura que mostra o poder do nosso cérebro de libertar endorfinas em determinadas situações, nos trazendo uma sensação de plenitude. Porém por que alguns têm ou não poções de endorfina para serem liberadas?
O mais fundamental, no entanto, para que alguém seja feliz é a forma como ele foi gerado e educado. Crianças que têm pais voltados para o que é chamado instinto de morte e que cultivam desde a gestação pensamentos e atitudes pessimistas diante da vida, com certeza serão bem menos alegres do que aquelas que foram esperadas com serenas expectativas. Os pais voltados para os instintos de vida mostram-lhe o mundo como uma grande aventura, na qual o mágico, o inusitado e a imaginação sempre serão cultivados - isso lhes dará uma visão otimista do mundo.
Mas sempre é tempo de mudar!
A aqueles que não foram naturalmente abençoados por possuí-la, indico um novo olhar para a vida: agradecer o que se tem em detrimento do que falta e um forte desejo de ser feliz através do caminho simples do amor pelo bem-viver.

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Pachamama- Betty LaDuke

 

 

A Grande Rede

texto de Carminha Levy

Os povos nativos afirmam que todos fazemos parte de uma grande rede na qual estamos todos responsavelmente ligados e o que fizermos, uns aos outros, inclusive à Mãe Terra, retornará para nós. Curiosamente a física quântica partilha essa verdade.
Sob esse enfoque podemos repensar, desde a nossa ligação responsável à Mãe Terra, seus filhos, a Humanidade e mais perto de nós, nossa comunidade, até chegarmos ao núcleo dessa Grande Rede, a família.
A ancestralidade e a força arquetípica da família se manifestam desde a aurora da humanidade, quando os primeiros grupos de hominídeos coletores saiam em busca de alimento e abrigo, sempre dividindo entre eles o que coletavam e se protegendo mutuamente das intempéries do caos primitivo. Era o tempo do matriarcado e cabia ao feminino com sua força integrativa fazer esta liga de união e partilha, que deu origem à família primordial arquetípica que mantemos até hoje internalizada. Essa força se revela através da necessidade de ser parte de uma tribo, seja ela o par conjugal e os filhos, ou grupos religiosos (monastérios), políticos, esportivos, comunitários, etc. O instinto que nos leva a essa procura é a energia sexual posta a serviço da sobrevivência da espécie, seja através dos filhos ou sublimada em ideais grupais.
Temos notícias de como tudo aconteceu nos primórdios, através de estudos arqueológicos ou da imaginação da artista no livro "No vale dos cavalos", de Jean M. Auel.
Após a última glaciação, quando os rebentos verdes irrompiam a vastidão do branco, com a força de vida da primavera; das cavernas geladas saiam os clãs que, atendendo a esta força, se dirigiam ao grande acampamento de verão. Este era convocado por um líder que se revezava a cada ano e propiciava que a Grande Rede tecesse sua trama através dos casamentos e iniciação sexual que eram efetuados ritualisticamente.
Era o matriarcado e a Grande Deusa e a sua força de criação eram reverenciadas através da sexualidade.
As mulheres que tinham mais filhos (a grande dádiva da Deusa) e por isso as mais prestigiadas nos clãs, iriam iniciar os adolescentes. Elas pintavam os pés de vermelho e circulavam no acampamento entre os adolescentes extasiados. Eram as sacerdotisas conhecidas como "as pés vermelhos", muito respeitadas pelos seus trabalhos.
Aos melhores caçadores e guerreiros era dada a função de iniciar as adolescentes. Paralelamente, acordos políticos de paz e proteção mútuos eram estabelecidos sob a proteção do Xamã.
A comercialização, na base de trocas, consistia em circular as mercadorias, peles, gêneros alimentícios, pedras preciosas e ouro bruto e principalmente o âmbar que, por ser a dádiva da Grande Deusa, era o maior bem material.
Os casamentos se davam entre os clãs e o maior dote da noiva era ela já ser mãe, o que garantia a perpetuação da espécie.
A Rede era mobilizada coletiva e individualmente e assim se iniciava o que veio a ser os futuros países, transações comerciais e a família como hoje a vemos.
Pode-se constatar hoje em dia que esta rica energia arquetípica está presente nos rituais; por exemplo, nos casamentos. É visível a chama amorosa que se reacende entre os casais convidados, reaquecendo antigas cumplicidades que ao serem relembradas abrem até a possibilidade de se poder "discutir" a tão temida relação.

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Com Carinho e Afeto

texto de Carminha Levy

O "doce predileto" de todos os seres, o afeto e as dificuldades que algumas pessoas têm de abrir o coração e deixar transbordar este rio caudaloso que se chama amor, é o nosso tema. No exercício do amor, o afeto corporal é aquele que primeiro acolhe o ser quando é aconchegado e nutrido pela mãe-símbolo universal de proteção e segurança.

Os pais dessa geração são privilegiados, pois se permitiram desabrochar o instinto maternal e ser o parceiro neste alicerce que vai fortalecer o ego corporal de sua criança.
Homens e mulheres, que não tiveram este clima em bebês ou crianças que não receberam carinho e afeto, tendem a se tornar fechados não só afetivamente, mas também intelectualmente.

Uma educação rígida, na qual homem não chora e nem pode demonstrar seus medos ou inseguranças e que tiveram estes sentimentos vistos como "coisa de mulherzinha", leva à formação da armadura anti-afeto na qual o "herói" se protege dos embates emocionais que a vida apresenta. Se ele tiver a sorte de encontrar "uma donzela" carinhosa e amorosa que possa ajudar a ultrapassar esta armadura de confiança no outro e no mundo, começará a mudar, a se abrir. Ele, que precisou ser um "homem de lata" para se defender dos afetos, lembra o herói do "Mágico de Oz", que clama por um coração aberto.

Nas mulheres o caso é muito mais grave. Como o amor materno necessita de ser transmitido corporalmente (e o é instintivamente na maior parte das vezes), mães que tem esta armadura muitas vezes oriundas de violência de abuso sexual ou sevícias físicas na primeira infância, tornam-se "geladas" como defesa pelos sofrimentos infringidos. Para manter ainda um pouco de um ego intacto elas se protegem praticamente saindo em espírito do corpo e congelam como que se anestesiando.

Os meninos que passaram por esta violência usam o mesmo mecanismo. Blindados, sofridos, cortam os laços afetivos com a vida e nas mulheres nem o milagre supremo da maternidade consegue a cura das seqüelas deste crime hediondo imperdoável. Nestes casos, a intervenção de um profissional qualificado faz-se necessária, pois o sofrimento é muito grande e generalizado, atingindo toda a família.

A adulta "congelada" prejudica o vínculo afetivo mãe filho pela falta do calor humano e é só na família que vamos encontrar o campo privilegiado para a cura do afeto e sua profilaxia. Analisem a dinâmica da sua família. Vocês se curtem, se abraçam, acarinham, não se envergonham de usar palavras doces e de pedir desculpas após as brigas entre si?

Não economizem elogios e carinhos e também programas pais e filhos, sem caretice e com muito bom humor e alegria.
Não tenham receio de demonstrar afeto e carinho entre si pois cuidar dos filhos, criá-los, é muito mais do que prover roupas, comida e boas escolas.

Como pais temos deveres mais sutis que esses e que podem se traduzir em propiciar um lar com um clima amoroso e afetivo, no qual o respeito às diferenças seja sempre levado em conta.

O clima de confiança mútua por ser baseado no afeto (o qual também é manifestado por raiva e frustração, pois afeto é tudo que nos afeta), oferece principalmente a segurança a seus adolescentes que podem compartilhar com vocês sua grande prova iniciática que é, no caótico século XXI, serem mulheres e homens que vivem este desafiante, trepidante e único momento de vida em busca da sua Verdade.

Carminha Levy

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Liberte-se do Jugo da Crítica

texto de Carminha Levy

FIM DE ANO é época de consciente ou inconscientemente analisarmos o que fizemos com este pedaço da nossa vida. Mas para tal, vamos nos ver através de um amoroso olhar no qual cabem só críticas construtivas a nosso respeito. Definido o rumo, poderemos começar por este ano que passou e pelos
muitos que o antecederam. O ponto de chegada agora é o nascimento de uma figura primordial: nosso crítico interno.

Comece por focalizar as lembranças que você tem da primeira vez que foi criticada ou contrariada. Gritou, esperneou, quebrou brinquedos ou ficou muda de raiva? A isto se seguiram palmadas, castigo e a mamãe e o papai viraram bicho-papão e bruxa malvada. Mas qualquer que tenha sido sua reação, teve que "engolir" esta frustração que se transformou numa grande raiva e em seguida numa "indigestão" que ressoa até hoje, que se chama culpa e a tortura com um amargo gosto na boca. Culpa essa por ter raiva de papai e de mamãe.

Nasce assim, para impedir raiva e culpa, um crítico feroz que diz "não pode", "não deveria", "é proibido", a cada vez que você faz algo errado. Pais têm que colocar limites, proibições, sem as quais a criança não internaliza este crítico, que é imprescindível na medida certa, pois é dele que vêm as bases da civilização - o que posso e o que não posso em relação a mim e ao outro. A solução para amenizar este crítico é colocar limites com ênfase na construtividade da crítica, o que se obtem envolvendo-a em amor e compreensão que irá se expressar no acolhimento da frustração da criança.

Como os pais lidaram com seu crítico interno, assim você lidará com o seu crítico que irá ressoar nos
seus filhos. Críticas construtivas, além de fortalecerem a auto-estima, impedem que um inferno particular se instale dentro das crianças, perdurando na idade adulta.

Pessoas excessivamente críticas são amargas e difíceis de conviver, pois lhes falta tolerância e paz interna,
que é a manifestação do seu inferno interior. Esta pessoa exala o que popularmente se chama baixo-astral e é digna da nossa compaixão, mas evidentemente não é a melhor convidada para a festa da vida.

E este teor de criticidade bloqueia a capacidade de criar, ela jamais está "pronta" para realizar seus sonhos, pois o jugo da perfeição e da irretocabilidade, que vai desde o bolo para a família ao livro que "deveria" escrever, é a barreira intransponível que não tem força de romper.

Encerrando essa reflexão estão os votos de que você tenha auto-aceitação de suas falhas e as dos outros. E que sua mudança de ano-novo seja aprimorar a arte da crítica construtiva, sempre pontuando primeiramente tudo o que a pessoa é e realiza de bom para em seguida colocar o "mas" amoroso que traz a sugestão que você presume que irá fazer esta pessoa mais feliz, sintonizada com a alegria da amizade e da tolerância.
Amor e Paz com muito Axé em 2009!

 

A NOVA FAMÍLIA

"aprendendo a conviver"

por Carminha Levy


"A nova vida familiar é mais harmoniosa, humana, criativa, alegre e participativa"

GRADATIVAMENTE, O MODELO tradicional de família - pai, mãe e filhos - foi se transformando de modo tão sutil que, no início, qualquer modificação do modelito era vista com preconceito e arrogância e muitos pais não permitiam que seus filhos brincassem com as crianças provenientes de famílias "transviadas".
Mas bota tempo nisso!
Se no início deste processo de modificação familiar o ritmo era lento e aleatório, nos dias atuais vemos mudanças radicais que apontam para uma nova vida familiar mais harmoniosa, humana, criativa e - por que não? - muito mais alegre e participativa.
Vejamos: a mãe traz para seu novo casamento dois filhos. O pai, por conveniência da ex-esposa e de comum acordo com a nova, fica com mais dois menores e os quatro irmãos esperam ansiosos o nascimento de gêmeos que estão encomendados. É uma benção, mas poderá também ser uma "maldição" se os pais
não forem suficientemente amadurecidos para tal empreitada.
Incluam nisso os ex-maridos e as ex-esposas. É ou não é um grande desafio? Oportunidade ímpar de curar ciúmes, partilhar, cooperar,
em vez de competir - convivência harmoniosa que é a ferramenta básica para sobreviver no mundo atual, que clama por modificações profundas nas relações profissionais - não mais o "se corre o bicho come" mas sim juntar força grupal para se atingir os objetivos de qualquer empresa. Bom laboratório esta nova família! Casamentos inter-raciais são cada vez mais freqüentes e vemos uma geração de mulatos orgulhosos
de seu sangue negro, mísseis que derrubam preconceitos parentais e enchem a casa de brilhantes e ruidosos olhinhos arredondados. E, quem sabe, de tanto judeu casar com árabe por este mundo afora, finalmente estes dois primos reconheçam sua fraternidade e parem de se matar. Ah! Também algo bem peculiar está acontecendo na sociedade inglesa, que tende a ganhar adeptos em outros países. É um divertido protesto dos pais divorciados que lutam por ficar mais tempo junto de seus filhos. E a forma de chamarem atenção para esta reivindicação é, no mínimo, não-ortodoxa, pois eles se vestem de super-heróis, tentam sensibilizar novos adeptos invadindo espaços públicos, tais como o ponto mais alto do Palácio de Buckingham.
A família composta por filhos adotivos há muito está entre nós. Também inicialmente foi revestida de segredos criados pela culpa e vergonha dos casais de não gerarem seus filhos. Nos dias atuais, adotivos
são recebidos como um grande presente pois trazem-lhes a dádiva de serem pais. Tenho duas belíssimas netas adotivas mulatas, hoje já moças. Após as adoções, minha filha teve um menino louro de olhos
verdes. Brincando os três num parque - e se chamando de "mano" e "mana" entre si - a mais velha, com cinco anos, ouviu de uma babá a pergunta: "Como vocês duas são irmãs dele?!" A resposta veio rápida:
"Ele é filho da barriga da minha mãe e nós somos do coração".
Essa é a realidade que impera nas adoções que a cada dia são mais responsáveis e regidas pela verdade e amor. Mas, de toda essa encantadora nova safra, a família que mais desperta o meu respeito e admiração
são os pais homossexuais e seus filhos ardentemente desejados. Poderia falar de vários tópicos que a mídia e estudiosos dedicam a este respeito. Porém, o que resume o meu ponto de vista - de mente, coração e alma - é que deve ser outorgado a cada um seu direito soberano de poder realizar seu sonho de ser pai e mãe.


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